terça-feira, 3 de agosto de 2010

Há alguns anos atrás eu entendia por razão a forma certa de agir das pessoas e irracionalidade como falta de razão. Mas de forma repentina, fui testemunha de um acontecimento que me deixou extremamente confusa. Em aproximadamente 65 dias atrás, presenciei um ato cruel que considero “irracional”. Tinha acabado de sair do meu local de trabalho e andando pelas ruas de São Paulo em direção a minha casa, passei perto de uma praça e parei para atender o celular, quando terminei a ligação, um pouco distante ouvi gritos de uma pessoa, parecia uma criança, os gritos eram finos e estava em constante mudança de altura, me fez perceber que juntamente a ele tinha alguém que a impedia de gritar. Fiquei curiosa e ao mesmo tempo assustada, então resolvi apressar os passos e ir em direção a voz tão fina que vinha a meu encontro. Andando pelas calçadas, me notei cada vez mais próxima dos gritos. De repente, cheguei a um lugar escuro, parecia não ter saída, nem volta, nem luz, apenas escuridão. Ao fundo sem muita perfeição vi uma pessoa e era exatamente uma criança, mas ela não estava sozinha... Fui aproximando e quando cheguei mais perto havia uma criança e um homem, de 5 e 30 anos respectivamente; o homem batia violentamente na garota.. Indignada, logo gritei: PARA! O homem com cara de assustado virou-se para trás e disse: é apenas uma criança de rua, que perturba varias pessoas pedindo esmolas. Questionei-o, no mesmo tom: onde esta a sua racionalidade? Rapidamente, obtive essa resposta: não lhe interessa! Olhei disfarçadamente para a criança que ali estava, e a encontrei de cabeça baixa, soluçando... Ainda não conseguia entender o motivo pelo qual, aquele homem estava a espancando! Logo questionei: como você usa a sua razão? Aquele homem insensato chegou próximo de mim e disse: Não há razão, não há racionalidade, é apenas a forma de ver o mundo!
Então quer dizer, que a forma de ver o mundo era simplesmente bater em uma criança porque ela passa por dificuldades e precisa pedir ajuda aos outros? Será que esse homem não se interessou nem sequer em saber se a menina tinha uma família? E o que eu tinha que fazer afinal? Bater, espancar não caberia a mim, ainda mais se referindo ao um homem alto, de bom corpo e com certeza mais forte! Chamar a policia? – talvez. Mas duvido ainda que a policia defenda os direitos dessa criança. Pedi então educadamente para que aquele homem se retirasse e me deixasse com a criança, ele negou, a criança gritou e então ele mais do que rápido, deu um tapa em seu rosto. Educação já não era mais a coisa certa, então com voz mais forte, eu disse que se ele não saísse dali naquele momento eu chamaria a policia. Ele não encontrou saídas, saiu correndo. Rapidamente agachei perto da menina e perguntei o seu nome, e ela assim respondeu: chama o meu pai! Eu perguntei novamente o seu nome, ela respondeu: Me chamo Carolina, mas busca o meu papai. Ela estava tão abatida, tão frágil... Então peguei-a no colo e tentei tira-la daquele lugar escuro. Ao conseguir sair daquele lugar horrível, eu olhei atentamente ao rosto de Carolina e perguntei quem era e onde estava o seu pai, ela inocentemente me respondeu: o meu papai se chama Douglas e você fez ele ir embora. Eu fiquei surpresa, aquele homem irracional era pai de uma menina tão linda e meiga como Carolina? Sem saber o que fazer, levei a menina ate minha casa e coloquei-a para dormir. Enquanto via o sono profundo em que Carolina estava, fiquei pensando.. O que levara ao um pai espancar uma filha e ainda dizer que era uma criança de rua? Não me entrava na cabeça, tanta crueldade.
E agora como falar de racionalidade? Se não se pode falar mais em amor e em respeito! Cada dia que passa me vejo mais distante da verdade! Mas que verdade? Mas que mundo é esse? Ás vezes eu penso que tudo que eu vivo é um sonho, ás vezes penso que infelizmente é mais pura realidade. Ás vezes tento disfarçar o quanto é difícil ver milhares de crianças sendo alvo do preconceito, da crueldade, crianças que devem ter um crescimento justo para que futuramente possa acreditar em si mesmo! Eu me questiono diariamente sobre a verdade, sobre a razão. Onde está a verdadeira justiça? Apenas em Deus, pois não da pra confiar na justiça do nosso País. A mídia é tão forte, tão influente, que ao colocar um caso como o caso bruno, vira novela! Mas imagina quantas coisas já não passaram nesse Brasil? Quantos crimes.. quantas mortes, quantos assassinatos, quantas injustiças. As pessoas esquecem que o mundo não é apenas o que a mídia diz. O mundo vai além! Há crianças que são usadas pelos próprios pais para ganhar dinheiro. Há crianças que são usadas para guardar em suas barrigas agulhas e pregos. Há crianças que esperam alegremente pela hora de dormir, porque o sofrimento cansa. Há crianças que precisam de carinho, que precisam de atenção, que precisam de respeito! E o que o governo faz? Tira os mendigos da porta da igreja quando vai receber alguma visita importante no País, coloca-os em um lugar fechado e depois os abandonam! E no que o governa pensa em fazer? Construir shoppings? Construir praças? Mas que não tenham acesso para deficientes físicos. O problema nem é tanto na adaptação para deficientes, mas na educação, na preparação, para execução desses! Qual a diferença de um ônibus com elevador para portadores de deficiência física, sendo que para o deficiente entrar no ônibus espera de 20 a 30 minutos. Por quê? Simplesmente porque não há pessoas que sabe executar a adaptação. E até onde vai isso tudo? Tem que se pensar que o mundo é complexo demais e os problemas também. Mas, cadê os jovens? Cadê a forca jovem? Cadê as atitudes? É agora que os valores dos jovens deveriam ser trabalhados, ser mostrados.
E que mundo é esse afinal?
“ até os inocentes aqui já não tem perdão” (8) . FATO!

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