quarta-feira, 9 de junho de 2010

Talvez cheguem a pensar que eu escrevo aqui só pra passar tempo, e talvez seja mesmo. Mas eu escrevo, escrevo porque talvez seja a única coisa que sei fazer, ou penso que sei fazer. Escrevo, porque eu gosto, porque escrever é o meu refugio. Escrevo porque escrever me mantém firme, porque quando eu escrevo, mesmo que tudo pareça escuro, eu estou feliz. Escrevo porque pra isso eu só preciso de vinte minutos, escrevo porque pra isso, eu não preciso pedir, eu não preciso pagar, eu não preciso de ninguém pra fazer por mim, escrevo porque eu quero e me sinto bem, e tudo que eu escrevo, é o que eu gostaria de ouvir, é o que eu espero do mundo, das pessoas. Escrevo porque quando isso acontece, eu me sinto adulta, eu me sinto forte, diferente de como eu sou diariamente, como uma criança indefesa. Escrevo porque consigo enxergar o mundo em três dimensões, escrevo mesmo que pra isso não seja reconhecido. Escrevo porque me satisfaz, e porque escrever é onde eu deposito tudo que eu sinto! Escrevo e sonho, mesmo que não recebo incentivos. Critico e analiso coisas consideradas ridículas, pois não fazem diferença hoje, mas farão futuramente...

Quando fiquei sabendo que uma fralda descartável demora 450 anos para se decompor, fiquei indignada, isso significa que ate hoje, com o passar de 15 anos, nenhuma fralda que eu utilizei se decompôs. Mas quando, cheguei angustiada com a informação, para passar pra minha família, para que haja uma reflexão... Ouvi dizer, que isso é ridículo. Que se preocupar com algo que vai demorar ainda 400 anos para se decompor, é o absurdo. Pois eu digo, eu afirmo, que ridículo e absurdo são os pensamentos como estes. Como não preocupar? Daqui um tempo, estarão meus filhos, netos, bisnetos, habitando esse mundo. E eles vão encontrar tudo assim? Sei que muitos agora perguntam: Mas uma menina tão nova, já pensando em filhos? Eu penso no futuro, porque a vida é construtiva, e as atitudes de hoje, refletem amanha! Quando digo que não quero votar em vão, algumas pessoas riem, zombam. Mas eu não vou dar um voto de confiança em uma pessoa que não me transmita segurança de que o meu País, de que a minha educação, de que o dinheiro dos meus pais estará em boas mãos. Quando digo que não estou preparada pra votar, muitos dizem que é só ir lá, bater o dedinho na urna, e pronto, votou. Eu digo que não estou preparada pra escolher, digo que ainda não parei completamente para ver as propagandas eleitorais, e por isso não estou preparada. Certo, que as propagandas são chatas e monótonas, mas eu não quero ser simplesmente mais uma pessoa passiva, vou investigar, comparar e ver realmente quem merece o meu voto. Observem quantos habitantes há no Brasil, enquanto há um representante. Não pensem que um voto não faz diferença, pois se todas as pessoas pensassem assim, nem chegaria segundo turno. Quando digo que eu não gosto de Lady Gaga, entro em contradição aos meus próprios amigos, mas no momento em que analisei as letras das musicas, achei fúteis, sem conteúdo para receber tantos admiradores. Quando digo que há muito que mudar na educação, as pessoas dizem que jamais será possível! Quando digo que num mundo tão gigantesco, carregado de coisas novas, curiosas, nos cabe indagar, algumas pessoas perguntam: pra que tantos porquês? Quando me interesso em temas como consumismo, eu não sou bem aceita pela sociedade, ate porque também sou uma consumista. Mas como se pode construir um País assim? Como pode haver tantas coisas fúteis, sem sentido, sem fundamentos? Como as pessoas não vêem que servem de manequins da mídia? Que o capitalismo direto ou indiretamente nos usa para conseguir o seu lucro.

Eu pergunto, eu questiono, eu escrevo, porque isso me encoraja! Porque é pensando em coisas absurdas da atualidade que me faz forte pra lutar, que me da vontade de mudar e me mantém de olhos bem abertos para ir alem do que a sociedade me pede. Eu sonho em ser jornalista, filósofa e presidente do País. É isso mesmo, talvez sejam sonhos que parecem impossíveis, porém no meu vocabulário ainda não existe a palavra impossível. Quando me refiro aos meus sonhos, eu continuo persistindo, porque eu sei que a única pessoa capaz de correr atrás deles, sou eu! E mesmo que eu não receba incentivo, e mesmo que eu seja ignorada pela sociedade, e talvez ate por vários adolescentes, eu não acredito que tudo que tiver que ser será. Eu acredito que tudo que eu puder fazer pra modificar, eu vou fazer!

Eu escrevo, porque tenho o direito de escrever. Escrevo assim pra minha própria sobrevivência. É a minha esperança, eu escrevo porque eu não desisto, eu escrevo porque eu me apaixonei pelos questionamentos, porque quando li trechos dos textos da Clarice Lispector percebi que também há pessoas que pensam como eu! Quando Clarice Lispector diz, que escrever é uma maldição, mas uma maldição que salva, eu me sinto segura. Porque escrevo, e enquanto eu estiver escrevendo vou estar segura de que eu estarei bem protegida. E enquanto eu estiver escrevendo, eu vou lutando incansavelmente em busca do fim da minha caminhada, onde espero com sorriso no rosto.

Eu escrevo, porque as palavras me ouvem, porque as palavras me confortam e me aconselham...

Escrevo porque a partir do momento em que comecei a escrever, eu notei o quanto é importante sonhar e caminhar diante os sonhos.


"Todo mundo que aprendeu a ler e escrever tem uma certa vontade de escrever. É legítimo: todo o ser tem algo a dizer. Mas é preciso mais do que a vontade para escrever. Ângela diz, como milhares de pessoas dizem (e com razão): "minha vida é um verdadeiro romance, se eu escrevesse contando ninguém acreditaria". E é verdade. A vida de cada pessoa é passível de um aprofundamento doloroso e a vida de cada pessoa é "inacreditável". O que devem fazer essas pessoas? O que Ângela faz: escrever sem nenhum compromisso. Às vezes uma só linha basta para salvar o próprio coração." Clarice Lispector


Um comentário: